15 de Novembro de 2009

O tempo.... sempre o tempo




Na discussão da minha tese, perguntaram-me:
- E depois de tanto estudares sobre o Tempo, já aprendeste a lidar com ele?

Respondi que não, que sou uma pessoa que se perde no controlo do tempo.
E que a tentativa de me orientar no meio dele tinha sido o mais difícil.

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Hoje, quando percorro as páginas do facebook dos amigos com os quais fui perdendo um contacto mais próximo, dou por mim a pensar que sem me dar conta, já não sei nada daquelas pessoas.
Vejo as fotografias dos meus primos, todos tão "crescidos" e a fazer tantas coisas, pergunto-me quando é que deixei de me lembrar dos aniversários deles, quando é que deixei de ansiar por ir à Guarda, quando é que me esqueci que também eles faziam parte da minha vida?

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Hoje fui visitar a minha avó. Estava diferente desde a última vez que a tinha visto. Mais cansada, mais nervosa, mais velha. Acho que me habituei às rugas carregadas, às mãos com pele tão fina e seca que parece papel, aquele olhar meio nublado sempre acompanhado por um lamento. Sempre a conheci assim, mas hoje pela primeira vez em muito tempo, via envelhecer e perder forças à minha frente, a perder o pensamento quando falava comigo e a afastar-se devagarinho para outro lado. Assustou-me que finalmente, para mim e para ela, o tempo estivesse a passar.

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Nestes últimos dias, o que eu mais queria era que o tempo andasse mais devagarinho.
Nem que fosse só um bocadinho.

14 de Outubro de 2009

1/4 de século

11 de Outubro de 2009

Corte de Cabelo

Cortei a franja.


Todos os dias tenho de ouvir os mesmos comentários de gozo acerca dela.
BLAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!

E se se fossem ver ao espelho e me deixassem em paz?

6 de Outubro de 2009

Lista das coisas que adoro

1- Tardes de conversa ao som de martinis

1 de Outubro de 2009

Lista das coisas que detesto

2 - Generalizações de qualquer género.

21 de Setembro de 2009

São dois braços, servem para dar um abraço

Passeava na rua, havia festa e muita confusão. De repente há uma cara conhecida que se vislumbra. Um primeiro franzir de olhos e depois a confirmação - é mesmo ela.
Depois correria desenfreada. Um apertar do pescoço que teima em durar, mesmo depois do "Olá, estás boa! Então a passear na festa?", um sorriso espelhado dos dois lados do abraço.

Ontem à noite, duas crianças abraçaram-me como se não me vissem à anos. Mas só passaram dois meses...

Uma chama-se Andreia. Fez 9 anos à poucos dias.

Correu para mim assim que me viu na esplanada mas não se lembrava do meu nome. Lembra-se do que importa - dos dias que esteve connosco e da alegria que sentiu - e isso chega-lhe. Gritava em plena rua "Mãe! mãe! Ela esteve connosco lá com o pde João!" É a melhor maneira que tem para explicar à mãe que me conhece do campo de férias.
Juro que nunca vi uma miúda tão contente de lá estar.

Esta outra partilha o nome comigo. Conheço-a desde o 1º instante em que me viu e ainda pequenita (devia ter uns 7 ou 8 anos) se agarrou a mim.

Vi-a crescer devagarinho no meio de todos os seus problemas e a pouco e pouco ir desabrochando. Hoje fico orgulhosa quando a vejo conseguir safar-se.
Mas continua a dar-me nós na garganta de cada vez que se agarra a mim.
"Aninhas, aninhas, aninhas! Quando é que há tempos livres?"(A mesma pergunta de sempre) "Vais ver-me na procissão? Vá lá, para tirares uma fotografia comigo?" (nó na garganta)

Por mais que tente fazer-me difícil e armar-me em forte, estas crianças dão-me cabo do coração.
"Claro que vou Anita, claro que vou. Tiramos uma fotografia juntas está descansada."

Ontem recebi dois dos mais lindos abraços do mundo.

14 de Setembro de 2009

Eu devia ter 15 anos

quando recortei este coração e o colei por cima do espelho no meu roupeiro. Na alturas as paredes do meu quarto tinham muito pouco espaço livre: estavam cobertas de montanhas de imagens e de fotografias, todas cuidadosamente escolhidas e alinhadas.

Não sei muito bem a razão porque escolhi aquele coração - o texto é um pouco forte como enfeite do quarto de uma adolescente destrambelhada - mas havia alguma coisa naquelas palavras que fazia sentido.
Só mais tarde e que dei conta que aquele era um fado da Amália e que estava na capa de uma revista porque nessa semana ela tinha morrido.
O fado é bonito mas gosto mais do coração.



Os outros papeis e fotografias que estavam no quarto nessa altura, já foram guardados.
Hoje tenho as paredes do quarto bem mais vazias.
O coração continua lá.